quarta-feira, 19 de junho de 2013

Então começamos a nossa batalha?

A nossa guerra não compreendida de todo revolucionário de primeira viagem em seus vinte e poucos anos.

Uma manifestação de estudantes quebrados pelo simples ato de economizar uns trocos ao ir e vir da faculdade foi o estopim dentro de um galão de gasolina. Mas este se encontrava dentro de uma refinaria de petróleo, que já velha e sem segurança fez aquilo que nunca se propôs ao surgir no mundo: Explodir! E espalhar as fagulhas e fragmentos em todos aqueles que estavam próximos.

Assim começou o mais nobre dos atos de uma geração.


Só que desta vez a coisa não envolve apenas liberdade cultural, de voz ou de imprensa. Envolve raspar toda a merda que estava empilhada no ventilador há décadas. Ela começou, mas nunca foi por transporte público. Nunca foi por escolas precárias e atendimento à saúde deficiente. Nunca foi por altos juros e taxas intermináveis. Nunca foi por uma polícia desprotegida e insegurança pública. Nunca foi por rodovias e infraestrutura decadente. Nunca foi por gastos abusivos em obras nunca terminadas. Nunca foi por políticos desonestos e promessas infinitas.


Nunca foi por corrupção.

Nunca foi por vinte centavos.

Nunca foi por nada disso!

Foi pelo mais simples dos direitos de um ser humano em qualquer lugar do planeta: FOI POR RESPEITO.

Foi pelo cansaço de ouvir todo dia nos noticiários.

Pelo respeito negado e esquecido. Enfastiamos de ouvir que o Brasil é o país do futuro. Que é o momento de nossas vidas. Que a economia está em crescimento e que os BRIC são a salvação mundial, sendo aquele B’zinho ali da frente nosso adorável berço esplêndido. Nossos ouvidos ouvem, mas nossos olhos não conseguem enxergar. Nossa mente não assimila tantas palavras com a realidade desse país. Todo mundo sempre reclamou. Foi da boca pra fora como um desabafo ordinário, pois afinal: “eu sou o único que pensa desse jeito e já nos acomodamos embaixo dessa barreira intransponível”.

Só que, do nada, sem filiação política, religiosa ou racial, todos estavam do mesmo lado. A canoa sozinha no riacho virou um Transatlântico cheio das mais diferentes classes. Tão diferentes e com um único item em comum: a palavrinha “brasileiro” como naturalidade na certidão de nascimento.  O sentimento comum tomou conta desde nossas unhas dos pés. Não é só a seleção que amamos. Não são somente aqueles desfiles carnavalescos que nos motivam. Não é só a feijoada com caipirinha no fim de semana que faz querermos continuar lutando.

Compramos no débito a batalha que nos estava sendo vendida em parcelas a perder de vista sobre juros exorbitantes. Então quer dizer que ainda temos voz? Podemos realmente mudar e evoluir? Meus filhos não precisam viver no país de meus avós?

Então o gigante finalmente acordou?

Com certeza, mas esteja ciente e não misture ideais de mudança com baderna generalizada e anarquia governamental. Se você acha que “Tem que é tacar uma bomba em Brasília e começar tudo do zero”, você é só um número de CPF. Se você acha que “a Globo” ou “as mídias” não divulgam a “definitiva verdade sobre os motivos primordiais da existência” ou que Impeachment é a solução... Se você acha que isso é a verdade, sinto te dizer que a melhor (e única) solução ainda seja o suicídio. Se você acha que a salvação reside na extrema esquerda do governo (independentemente de partido político), você será pra sempre um simples e imutável do-contra. Se apoiar na extrema contraditória é a mais simples das atitudes, mas a menos efetiva e a mais perigosa, pois confiar cegamente em qualquer coisa é a ignorância no sentido mais básico da palavra. 

E pelo amor do que te for sagrado, se você quer exigir a simples “mudança do mundo” sem ter objetivos, sem ter análise crítica ou mesmo sequer ter uma cabeça pensante, você é um puta de um babaca! Se seu lema for: "Não sei por que diabos estou gritando, mas vou fazer porque todo mundo está participando", volte para o Facebook de seu Iphone - Não grite pelos gritos dos outros.

Repito e retifico: Não grite pelos gritos dos outros! O mundo não será a El Dorado na manhã seguinte. Hospitais completamente equipados não irão ser construídos em frente ao seu portão na hora do café. Escolas públicas com professores renomados não despencarão um tijolo por vez das nuvens que cobrem o seu bairro. Anjos não te abraçarão enquanto andas em uma Autobahn tupiniquim ligando Manaus a Porto Alegre. Não seja estúpido em pensar que podemos abraçar o mundo de uma única vez.

A nossa luta é por respeito, mas nossa herança é por atitudes.

Começamos hoje, mas necessitamos de continuidade. O real legado de todos esses protestos por tantos interesses diversos foi o despertar.

Acordamos num belo dia frio e chuvoso pra descobrir que ainda dá de pôr um raio de sol no entardecer. Acordamos para os ideais que nunca deveríamos ter esquecido. Cada pessoa tem seu objetivo diferente, portanto, a partir de agora, lutemos cada um por sua causa nobre. Que façamos a diferença em nossas atitudes, que comecemos a perseguir a verdade, a cobrar nossos direitos, a questionar nossos políticos e a alcançar nossos objetivos.

E tudo isso vindo de uma geração que, com orgulho mas nunca admitindo, ouve Luan Santana, Parangolé e Lek Lek, que passa horas em redes sociais atrás de um positivo perdido e que abraça sustentabilidade e racionalização de recursos se masturbando por três horas seguidas no chuveiro ligado. 

Quem poderia esperar?

Portanto, lute por respeito hoje, mas defenda seus princípios amanhã, pois atos impensados geram feridas, gritos provocam mudanças, mas ideais se disseminam e se propagam.

Façamos propagar a mudança, afinal nós já começamos a nossa batalha.




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